Category Archives: Uncategorized

Senhora do Carmo

Standard

O “Senhora do Carmo”. O Edifício Senhora do Carmo, situado na Rua Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, é ocasionalmente o meu pouso, desde 1992. Ao Senhora do Carmo aprendi a conhecer cantos e recantos, aprendi a reconhecer encantos e desencantos. O Senhora do Carmo é minha casa. Permanentemente. Desde sempre e para sempre.

(fotografias tiradas em Agosto de 2016 no Edifício Senhora do Carmo, em Belo Horizonte)

fujifilm XQ1

Advertisements

2015 em imagens

Standard

Depois de esboços diversos, de tentativas de separação por temas, de fracassos variados e de fotografias em excesso, deixo aqui finalmente as minhas imagens favoritas de 2015. 25.

“ter uma terra é o diabo…”

Standard

Demorou quarenta e cinco anos, quarenta e cinco exactos anos para descobrir que lhe pertencia, para perceber que era aquela a sua terra. Não outra, não essa cidade onde nasceu, nem a outra, onde viveu, ou sequer aquela onde casou e que o levava a atravessar oceanos, tão-pouco essa que agora lhe dá o pão. Era aquela serra, aqueles penedos toscos, o rude granito e a terra dura, a vegetação rasteira e os pinheiros vergados, o ar milagroso ou as núvens de Besteiros, o frio do Caramulinho e a neve envergonhada, o museu ou os decrépitos sanatórios, a chanfana dos Jueus e a laranja do Figueiral, as uvas de Janardo ou os tortulhos dos lameiros, os piscos que resistem ao inverno e as borboletas que enfeitam a primavera, era aquela serra que se abatia agora sobre ele com o peso da saudade, com a urgência do regresso. Ao frio, à lareira, ao velho Café Marte ou ao passeio matinal pelo “povo”, às rabanadas ou à sopa-seca, regresso a si mesmo, agora que sabia ser dali. Só dali, do Caramulo, Paredes do Guardão ou Serra de Alcoba, tanto faz. É ali que regressará, depois de contar os dias, as horas e os minutos. Os passos, milhas ou quilómetros até chegar, em véspera do seu quadragésimo quinto Natal. Assim o ajude a estrela, assim o guie o destino…

Sangano, à distância

Standard

Imaginava-a amuada e triste, imaginava-a chorosa pelo descaso, pela certeza de ter sido trocada. Por uma mais jovem, estaria certamente a pensar. Mais leve, mais disponível, mais rápida. Mas nada disso aliviava aquela sensação. A de sabê-la triste. Era agora outra a que o acompanhava pelas ruas de Luanda, era outra a que havia de acompanhá-lo até à distante China. Sempre fora assim, o entusiasmo da novidade trazia com ele uma tristeza agridoce, uma culpa pela troca. Depois, sabia-o, cada uma acabaria por encontrar o seu espaço. Pois se a velhinha D2x não lhe podia dar a discrição necessária em ruas movimentadas e velhas fábricas sujas, também a pequena Fuji XQ1 não lhe poderia dar a distância, a possibilidade de não-invasão e a consequente intocabilidade da cena. Não poderia nunca dar-lhe os falcões peregrinos das escarpas da praia de Sangano, ou os ariscos caranguejos das areias dessa mesma praia, resguardada a espaços pela maré alta. Ou as zungueiras, calcorreando milhas de lagosta na mão, não lhas poderia dar sem intromissão na sua labuta. Como na do pescador que cose as redes antes da faina. Sem ela Sangano não seria a mesma. Não poderia, por isso, substituí-la. Condená-la, condenar a mítica Nikon D2x ao esquecimento. Ao fundo de uma velha mochila.

(fotos tiradas por corpo Nikon D2x e objectiva Nikkor 500mm f8 na praia de Sangano, entre Setembro e Novembro de 2014)