@nossalingua

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Todas as fotografias têm duas faces. Uma, é a que está por detrás da câmara, a que o fotógrafo vê, o instante, o antes e o depois. O que se vislumbra no visor e todo o resto. A outra face é a que se pendura na parede, a página de um livro. Datada e localizada, é o instante congelado. É essa face, é a diferença entre as duas faces, que determina a fotografia, o seu sentido. Quanto mais próximas, maior é a probabilidade de sucesso. Quanto mais próximas, quanto mais a fotografia foi cumprida.

nossalingua

O projecto @nossalingua, que será apresentado no Rio de Janeiro, na próxima quarta-feira, pretendendo construir um documento visual abrangendo países de expressão Portuguesa, escolheu 100 fotografias, divididas em 10 missões, cada uma com seu tema. Três dessas fotografias são minhas, nas missões trabalho, e palavra.

Eis a face oculta de cada uma delas. E a visível, também.

trabalho 3 pesca açores s2pro.jpg

  1. Açores, 2007. Missão: trabalho

Tinha chegado há poucas horas a Ponta Delgada, naquela que foi a minha primeira viagem ao Arquipélago. O destino, depois da Lagoa do Fogo, era a costa norte, para uma visita à plantação e fábrica de chá da Gorreana. Descendo, uma curta paragem para admirar a paisagem Açoreana. Verde e mar. Atrás olhando para trás, foi um pastor que conquistou a minha atenção, lá atrás, ordenhando cabras, com a companhia do fiel cão. À frente o vasto Atlântico. No ar a humidade. E o sotaque carregado das Ilhas.

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  1. Gaia, 2011. Missão:

O Senhor da Pedra, na praia de Miramar, é um dos mais impressionantes locais que conheço. Dos mais poéticos, mágicos. A capela, construída sobre um rochedo, de costas para o mar, ocupa o espaço que outrora teria sido palco de culto pagão. O mar, o Atlântico de Janeiro, prateado, cor-de-robalo, pedia veneração. Talvez fosse essa devoção a razão da silhueta, junto à capela. Foi a razão da foto.

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  1. Porto, 2013. Missão: palavra

A pérgola da Avenida do Brasil é local simbólico para os Portuenses, palco de passeios Domingueiros, com vista para o mar revolto, para a costa pedregosa. Naquele Domingo de Janeiro experimentava a minha nova reflex, comprada dias antes, e a ideia era de fotografar precisamente o que a Foz nos oferece, a costa agreste e o grande Atlântico. Mais abaixo, contudo, faziam-se palavras cruzadas, passatempo em desuso que me ocupou horas e horas na infância e adolescência. Senti-me tentado, confesso, a espreitar através do visor o enunciado e as letras que iam aparecendo nas quadrículas. E talvez soltar uma dica, uma sugestão solta. Fiquei-me pela perspectiva geral, fiquei-me por esse outro passatempo, mais sério, mais duradouro, que é a fotografia..

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One response »

  1. Nossa Pedro que legal! Agora que fui ler direito e entendi que suas fotos fazem parte da exposição. Parabéns! Será que vem para BH? Bjs

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