Monthly Archives: July 2015

missão 1: terra

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Países diferentes irmanados pela língua. Múltiplas perspectivas, nos países de Língua Portuguesa, convergindo no Instagram e compondo um painel da lusitanidade, em galeria virtual, em livro, em exposição e em documentário.

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missão 1: terra

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Massangano

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Quando o inconfidente José Álvares Maciel chegou a Massangano, em 1792, já o forte contava com mais de 200 anos de história. Maciel havia sido detido dois anos antes, em Vila Rica, por envolvimento com a Inconfidência Mineira. Condenado à morte, viu a sua sua pena de morte comutada em degredo perpétuo. Massangano foi o seu destino, antes de ser libertado para sobreviver por seus próprios meios, tendo nao só sobrevivido, como até atingido alguma prosperidade por terras da Raínha Ginga. Anos antes, em 1640, a própria N’Ginga atacou o forte, sem sucesso, vendo suas irmãs aprisionadas pelos Portugueses. E foi ali, no ano seguinte, nas margens do Kwanza que os Portugueses haveriam de se refugiar fugindo de Luanda tomada pelos Holandeses. Até que, vindo do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá, logrou expulsar a Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais da capital Angolana, em 1648.  

A Massangano chega-se hoje, tomando primeiramente a estrada que liga Luanda ao Dondo, saindo depois para 20 Km de picada em mau estado, que tardará uma hora a percorrer. E, ali chegando, são as ruínas do antigo tribunal que nos dão as boas vindas. Em seguida a antiga Câmara e, junto à porta de armas do forte, aguardam crianças numerosas, que nos hão-de seguir com excitação até às restantes paragens. Do forte, das ruínas do forte, sobressai a ampla vista do lendário  Kwanza, serpenteando por entre a verde paisagem. Canhões vários resistem ainda ao tempo e ao descaso a que foi votado este marco da história Angolana. Mais adiante, a Igreja de Nossa Senhora da Vitória, com o túmulo do explorador Paulo Dias de Novais que, subindo o vale do Kwanza em busca das lendárias minas de prata de Cambambe, acabaria por fundar a povoação de Nossa Senhora da Vitória de Massangano na confluência do Kwanza com o Lucala. Daí, seguiremos para a praça dos escravos, indicam-nos os nossos cicerones. Não é difícil imaginar ali as inúmeras transacções que haviam de levar um sem-número de Africanos até ao outro lado do oceano, para engrossar a mão de obra escrava necessária no Brasil, para Vila Rica, imagino, para as minas de ouro que haviam de incendiar os sentimentos independentistas Mineiros, que haveriam de trazer José Álvares Maciel a Massangano.  A essa Massangano onde se chega por uma picada, que percorreremos, mais tarde para regressar a Luanda. Com a sensação de dever cumprido, com a excitação de termos seguido as pegadas de figuras chave da história desse Portugal de Bragança a Timor, de ter seguido a história, de ter feito parte de uma aventura. Longa, de mais de quatrocentos anos…