Monthly Archives: February 2015

Sambizanga

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Sambizanga

people kids sambizanga 01 1502 xq1 30x20 colour

Luanda, 2015

Fuji XQ1

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tan tristes, tan solos los muertos

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¿Vuelve el polvo al polvo?
¿Vuela el alma al cielo?
¿Todo es sin espíritu,
podredumbre y cieno?
No sé; pero hay algo
que explicar no puedo,
algo que repugna
aunque es fuerza hacerlo,
el dejar tan tristes,
tan solos los muertos.

(Gustavo Adolfo Bécquer)

Fuji XQ1

Nikon D2x + Nikkor 75-300mm f4,5-5,6

2015

Domingo

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Domingo em Luanda. Famílias, em rigoroso traje domingueiro cuja alvura a poeira das estradas não ousa comprometer, apressam o passo a caminho da missa. Não por receio de se atrasarem, mas sim pela ansiedade de chegar à Igreja, pela antecipação da alegria que os espera. Do outro lado da rua, grupos numerosos de mulheres exibem os seus panos coloridos e impecáveis, tão brilhantes e orgulhosos que, a cada Domingo, poderíamos jurar serem novos. Estarão a entrar na Igreja quando, não muito longe dali, um campo abandonado e rodeado de lixo reclama a sua parte da magia dominical, transformando-se em garboso estádio de futebol. Também aqui se pavoneiam coloridos e impecáveis equipamentos, usados por equipas que disputam um qualquer campeonato ou torneio. Duas delas tentam acertar nas pequenas e toscas balizas, enquanto uma terceira, à sombra de um embondeiro, espera o desfecho da partida. Mais tarde, com o sol a pino, e com a missa terminada, os romeiros que vibraram com golos impossíveis, bolas em arco e corridas empoeiradas, começarão a abandonar as improvisadas bancadas de madeira. Os toldos de jardim, que serviram de sombra aos bancos de suplentes, serão recolhidos, e as pequenas balizas serão guardadas religiosamente . E aquele mágico chão voltará, durante 7 dias, a ser mero terreno, abandonado e largado à sua sorte. E ao sétimo dia novamente a magia, novamente a bola a rolar e crianças a passarem por entre os buracos da rede de vedação, para assistirem ao jogo, sonhando com o dia em que serão eles as estrelas do bairro, serão eles a pisarem aquele chão sagrado. Numa qualquer manhã de Domingo. Em Luanda.